Liam Gallagher: ‘As you were’ é melhor trabalho de um ex-Oasis desde a separação
Liam Gallagher: ‘As you were’ é melhor trabalho de um ex-Oasis desde a separação

Desde que o Oasis se separou, em 2009, os órfãos da banda não ouviam nada novo que lembrasse tanto os bons tempos do grupo quanto “As you were”, primeiro disco solo de Liam Gallagher.

Após um par de álbuns mornos do irmão e guitarrista Noel e outro par fraco do Beady Eye, banda que reuniu o resto dos integrantes, Liam descomplicou e fez um álbum que soa espontâneo e jovem aos 45 anos.

Ainda se sente a falta de Noel: um pouco nos solos e muito nas composições. Quando se arrisca a escrever, o vocalista Liam tem até boas ideias, mas tende a clichês e repetições. Só que aqui ele trabalhou melhor e ainda teve ajuda do produtor e compositor Greg Kurstin.

Doutor anos 90

Kurstin é o mesmo produtor pop de Sia e Adele que acabou de ajudar os Foo Fighters a voltar à boa forma. Ou seja: depois de produzir “Hello” e “Chandelier”, ele virou doutor especialista em reabilitação de roqueiros de meia-idade.

Sua assinatura está no primeiro single e faixa de abertura, “Wall of glass”, e mais quatro das doze músicas do disco – bem enxuto, com 44 minutos no total. O segundo produtor, Dan Grech-Marguerat, também transita entre o pop e o rock, com Lana Del Rey e Vaccines no currículo.

“Wall of glass”, a mais forte do disco, mostra bem os méritos de Kurstin (que ainda toca quase todos os instrumentos na faixa) e de Liam: guitarras apitando, um refrão ameaçador (“Um dia você vai se espatifar como um muro de vidro”), ao mesmo tempo áspero, com o jeitinho bruto do vocalista, mas com produção redonda.

Liam valoriza o trunfo de ser o coração do Oasis – enquanto Noel é o cérebro e o corpo, em comparação piegas, foi mal. Em teoria, faz sentido que o guitarrista fizesse discos melhores. Mas “As you were” não será fácil de ser batido. (Veremos o resultado do embate no dia 24 de novembro, quando sai “Who Built the Moon?”, de Noel).

Mesmo quando não é tão barulhento, o disco acerta na reflexiva “Chinatown” – com rascunhos de comentários sociais, uma boa surpresa. Há um ponto fraco em faixas assinadas só por Liam, como a confusa “When I’m in need”, que começa bonita e não vai a lugar nenhum, e a pretensiosa “Universal gleem”.

Mas no fim, com “I’ve all I need”, outra assinada sozinha, Liam ainda surpreende como autor. É a mais limpa e mais distante do Oasis dos anos 90 – vai ao lado mais pop do britpop. Talvez de propósito, o muro de guitarras some, deixando claro a ausência de Noel, mas o arranjo seco evidencia o belo e seguro verso: “Eu tenho tudo que eu preciso”.

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