Inteligência artificial cria novos gêneros musicais, revela estudo da Stability AI

A presença da IA na música já não se limita a ferramentas auxiliares. Segundo um novo estudo da Stability AI , a tecnologia está sendo usada por artistas profissionais para experimentar sons inéditos e até dar origem a gêneros musicais que antes não existiam.

O levantamento, intitulado “Music and Artificial Intelligence: Artistic Trends”, examinou 337 obras musicais ligadas ao uso de inteligência artificial e mostrou que a maior parte dos músicos tem recorrido à tecnologia como parceira de composição, criação de letras e design sonoro. Além de apoiar processos criativos já estabelecidos, os algoritmos vêm abrindo espaço para colaborações e interações de novos tipos entre artistas e público.
Entre os experimentos, surgem nomenclaturas que tentam dar forma a essas criações. Estilos como Neural Pop, focado em canções pop produzidas a partir de modelos de voz; AI Jazz, voltado para improvisações infinitas simuladas por algoritmos; Synthetic Ambient, que explora timbres inexistentes em instrumentos reais; e Algorithmic EDM, variação eletrônica construída por padrões criados em tempo real, aparecem em trabalhos de cantores e plataformas de geração musical. Ainda que não haja consenso sobre quais deles irão se consolidar, os nomes ajudam a ilustrar como a IA vem sendo associada a novas identidades sonoras.
Novas interações entre artistas e público
O estudo citou exemplos de artistas como Holly Herndon, Grimes e Sevdaliza, que lançaram modelos de voz baseados em inteligência artificial, permitindo que fãs e outros criadores produzam canções utilizando suas identidades vocais. Os estudiosos ressaltam que esse tipo de recurso inaugura novas formas de colaboração, expandindo a relação entre artistas e suas audiências.
Outro ponto levantado é em relação aos direitos autorais. Muitos músicos têm criado bancos de dados próprios para treinar modelos de IA, de modo a proteger suas obras e, ao mesmo tempo, explorar novas sonoridades. Essa prática lembra o trabalho de programar sintetizadores, mas com o objetivo de definir assinaturas sonoras personalizadas.
Mudanças nos gêneros musicais
A pesquisa destacou a capacidade da IA de criar sons considerados incomuns e de traduzir letras para diferentes idiomas com facilidade. O single “Masquerade”, do grupo de K-pop MIDNATT, lançado em seis línguas, e a faixa “Love U Like That” de Lauv, gravada em inglês e coreano, são exemplos de como a tecnologia pode acelerar estratégias de alcance global.
Outro ponto positivo está na possibilidade de transformar músicas de um gênero para outro. Antes, dominar estilos musicais exigia anos de estudo. Agora, os algoritmos conseguem misturar referências e produzir faixas em vários gêneros de uma só vez, ou até inaugurar categorias completamente novas.
Esse movimento lembra outras mudanças tecnológicas do passado, como a chegada dos amplificadores, samplers e auto-tune, que impulsionaram o surgimento de novos estilos. Agora, algo similar acontece com os gêneros musicais, em velocidade amplificada.

