Legião Urbana aciona governador de MG por uso indevido de música em campanha politica
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (novo) recebeu uma notificação extrajudicial da banda de rock Legião Urbana após utilizar a canção “Que País É Este” durante o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República. A canção escrita por Renato Russo e lançada em 1987, foi reproduzida em uma publicação oficial no perfil do político no Instagram, sem autorização dos detentores dos direitos autorais.

A notificação, dirigida ao diretório estadual do Novo, exige que Zema e o partido cessem imediatamente o uso da obra em publicações digitais ou em eventos futuros. O grupo aponta que houve grande repercussão pública nas redes sociais e reforça que o uso político da musica viola as regras de direito autoral.
O ocorrido ganhou ainda mais destaque após declarações de Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo e responsável pela gestão do legado artístico da Legião Urbana. Ele criticou a escolha da canção no evento, classificando a atitude como “uma afronta aos direitos autorais” e à memória de Renato. Manfredini acrescentou que, mesmo que houvesse um pedido formal, a liberação não seria concedida.
Segundo Giuliano a decisão tem caráter ideológico: “Nós temos o mesmo posicionamento que o meu pai tinha, principalmente com relação ao uso político por parte da extrema direita, porque é uma música contra a extrema direita, contra a ditadura”, afirmou ele ao portal Folha de S. Paulo.
Vale lembrar que a musica é considerada um dos hinos da banda de rock, marcada por letras críticas às mazelas políticas e sociais do Brasil. Entre os trechos mais conhecidos está o verso: “Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado/Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”.
Não é a primeira vez que o filho de Renato Russo contesta contra usos políticos da obra. Em 2024, Manfredini já havia acionado a ByteDance, dona do TikTok, para remover postagens bolsonaristas que usavam a mesma música em contextos de apoio político.
Até o momento, nem Zema nem o partido Novo manifestaram publicamente sobre o assunto.

